3.2.13

Onde se hospedar bem e barato na Europa. Parte II

Na segunda parte da série “onde dormir bem e gastar pouco pela Europa” quatro cidades que eu adoro e tive experiências inesquecíveis e diferenciadas em cada uma delas: Budapeste, Tallinn, Split e Bratislava.
Vou abrir os trabalhos com a belíssima capital húngara: Budapeste.
Se você esta na dúvida se deve ficar na região de Buda ou então em Peste. Recomendaria Peste. Esta tudo ali: os bares, restaurantes bacanas, clubes, lojas e a maioria dos pontos de interesse.
Mesmo linda, Buda, é pra se passar um dia circulando pelas colinas. Caso contrário, terás que atravessar uma das setes pontes todos os dias ou enfrentar transporte público. Lembrando que o Danúbio tem uma largura respeitável e que essa travessia pode levar alguns bons minutos.
Como fui passar a virada de ano de 2011 para 2012 na cidade, as ofertas hoteleiras estavam menores que de costume e com preços bem salgados. Como a ideia era optar por algo bem bacana a escolha foi pelo Starlight Suiten Hotel.
Foto Paulo Rogerio de Souza
Um hotel com cara de flat daqueles que você pode levar seu vinho com uns queijos locais, sentar no sofá na sala de estar e sentir-se em casa.
Foto Paulo Rogerio de Souza

O quatro estrelas tem uma localização perfeita, bem de frente pra Chain Bridge, o maior cartão postal da cidade. Dali é possível fazer quase todo o roteiro a pé.

O serviço é excelente, o quarto enorme e limpo, cama confortável, recepção 24 horas e mesmo no centrão consegue ser super silencioso.
Foto Paulo Rogerio de Souza
O preço em altíssima temporada foi 80 euros a diária para um quarto de casal, desses aí da foto.

Abro o mapa de Budapeste mais detalhado depois aqui no blog, mas já adianto que em fevereiro conto um pouco mais sobre as baladas na cidade na Revista Status que estará nas bancas a partir do dia 15.

Na gelada Tallinn, capital da Estônia, onde fui com dois grandes amigos, ficamos num hotel super clássico e histórico: St. Olavo Hotel. Cravado no chamado Centro Medieval, pertinho de tudo mesmo.
Foto Paulo Rogerio de Souza

O décor é um barato: paredes com tijolos à vista, suportados por madeiras de demolição e as camas com umas mantas vermelhas com detalhes amarelos que deixa tudo muito estranho, mas divertido. Desculpe-me pela bagunça do quarto, esqueci de tirar as fotos logo na chegada.
Foto Paulo Rogerio de Souza
Como um hotel antigo, precisa de uma revitalização pra se manter na concorrência, entretanto, ainda esta batendo um bolão.
Os quarto possuem aquecimento pra suportar os -22°C do lado de fora, banheiro pequeno, mas limpo e o chuveiro deixou um pouco a desejar na vazão de água. Detalhe para a organizaçãao da minha cama:)
Foto Paulo Rogerio de Souza
Café da manhã servido num salão jeitoso, espalhado por várias mesas de Buffet, servindo uma mistura do tradicional continental com pitadas da culinária russa e local, bom e nada exótico.

Como estávamos em três reservamos um quarto com duas camas de solteiro e um sofá cama que era a oferta de quarto triplo do hotel. Para duas noites estava perfeito. O preço para isso tudo: €65 a diária com café incluso. Dividido por três quase nada!

 Vou fazer o post sobre Tallinn em breve e te conto como entrei numa fria.

Em Split, na Croácia, que já contei aqui minha andança pelo país, faltou dar as dicas de hospedagem. Aí vai: Marmontova Luxury Rooms.
Foto Divulgação do hotel porque não fotografei os quartos na Croácia:(
O negócio ali é simples. O Adriano, o proprietário, locou um andar inteiro de um prédio comercial, super bem localizado e o transformou em alguns quartos extremamente equipados e bem decorados a preços acessíveis.
Foto Divulgação do hotel porque não fotografei os quartos na Croácia:(
Split é uma das cidades base na costa da Dalmácia. Por isso, quem esta por ali deve se hospedar perto do cais do porto ou da rodoviária, que é de onde partem os Ferry Boat e os ônibus tanto para o Norte (em sentido Zadar) ou para o Sul (em sentido Dubrovnik).
O Marmontova fica justamente no calçadão da Rua Marmontova que esta coladinha com o final da Riva, a avenida principal da cidade.  Distante apenas cinco minutinhos caminhando da rodoviária de onde partiria para Zadar. Pronto! O Palácio Diocleciano com seus bares e restaurantes esta na frente e o mar e as pizza do lado.

Quarto duplo pagamos €65 a diária sem café da manhã.

E para fechar a parte 2 da série: Bratislava a capital da Eslováquia. Como ali o negócio seria rápido escolhemos o recém inaugurado Abba Hotel. Por quê? Porque ficava bem pertinho da estação de trem de onde embarcaríamos no dia seguinte para Budapeste. E vi no mapa que o Centro e os pontos de interesse não dariam mais de dez minutos caminhando. Bingo!
Preferimos ficar perto de onde sairíamos para não perder o trem. Não adiantou porque perdemos. Mas valeu todo o plano!
Foto Paulo Rogerio de Souza
Hotel novo, com cheiro de novo pelos corredores e no quarto. Uma super cama, banheiro uma graça, prédio lindo, limpeza e serviço impecável. Banheiro equipado com todas aquelas apetrechos de higiene e beleza capaz de encher (enchi) uma sacola.
Foto Paulo Rogerio de Souza
Sem esquecer da mesa de chá e café, menu de travesseiro e uma mega guarda-roupas. Tudo isso por €65 a diária sem café da manhã. Ficamos poucas horas nos hotel, pena que nem deu pra aproveita tudo que ele tinha a oferecer, mas os vinhos eslovacos nos esperavam. 
Mapeando
Reservei todos os quartos pelo site booking.com e os critérios de escolha contei na parte I dessa série que você pode conferir aqui. 
O que vem pela frente
Na parte III da série: Berlim, Oslo, Cracóvia e Zadar.
E na parte IV os hostels de Paris, Londre, Bruxelas e Belfast.

14.1.13

Onde se hospedar bem e barato na Europa. Parte I


No primeiro capítulo da série onde dormir bem e barato na Europa, na pauta: Viena e Madri. E ainda Edimburgo como a furada da vez.
Mas, ante dos hotéis propriamente, vale contar um pouquinho como chego até eles.
Depois de vasculhar por passagens baratas pretendidas vou ao site do booking.com pra dar uma espiada na média de preços de hospedagens e ter assim os 50% dos custos da minha viagem. Sempre uso o buscador para fazer minhas reservas. Disparado o melhor no mercado: por não cobrar porcentagem no ato da reserva, ter promoções super convidativas e pelos comentários dos usuários serem super fidedignos e confiáveis. 
Passagem comprada, hora de vasculhar pra valer o booking. Pelos comentários já se tem uma ideia até do destino e algumas dicas bem bacana.
Algumas vezes faço reserva apenas para garantir hospedagem, já que o cancelamento (ver condições) é grátis e só depois do roteiro pronto e sabendo detalhes da minha programação confirmo se mantenho ou troco de hotel.
Na escolha levo em consideração a localização, pois gosto de fazer o máximo possível do meu roteiro a pé. O preço, respeitando minha meta estipulada entre 30 a 35 euros quando estou sozinho e posso arcar com qualquer surpresa sem estragar minha viagem e até 50 euros por pessoa, acompanhado.  E o pacotão que é o que chamo da soma de outros fatores como limpeza, serviço e o  plus (charme, história e etc). Isso tudo tenho informações nos comentários do booking e em alguns blogs.
Ah! Opto por hostel se estiver viajando com grupos de amigos e aí "fechamos um quarto".
Se estiver viajando sozinho e solteiro à procura, escolho um quartinho individual, nem que for de um mísero hotel, pois levo em conta os "possíveis" amores de viagens.
Dito isso, vamos aos hotéis de hoje!
Para começar: Viena. A capital da Áustria é imensa e como havia reservado apenas três dias ali a localização do hotel seria um dos fatores decisivos para otimizar tempo.
Depois de muita pesquisa descobri que uma cama na cidade da música clássica pode não custar tão barato, principalmente, se no pacote esta incluído outros destinos como Brastilava e Budapeste em alta temporada.
Foi aí que caiu na minha mão o novinho Motel One. Ele já havia passado pelos meus olhos em Berlim e quando vi que fincaram bandeira em Viena só hesitei pela localização.
Depois de mais pesquisa, percebi que a região de Westbahnhof era ideal por vários fatores.
1)O ônibus aeroporto – centro tinha uma parada na porta do Hotel.
2)A estação de trem que usaria para embarcar para Bratislava ficava dois minutinhos caminhando dali.
3) Na porta também havia metrôs, trans e ônibus locais além de um shopping center coladinho.  
Sem esquecer que era um bairro de Viena (o que dá um ar mais de morador), distantes apenas três estações de metrô (10 minutos) das principais atrações da cidade.
Ah! E o preço: 82 euros quarto duplo. 
Bingo!

Hotel com cheiro de novo é sempre bom. E com uma decoração bege mesclada por tons de azul que agrada os olhos, melhor ainda. 
Nos quartos, nada de luxo, no entanto, tudo de bom gosto e funcional.
A rede se firmou usando a máxima: hotel design low coast.
Ao invés de guarda roupa, uma armação metálica para pendurar as roupas, o aparelho de TV multifuncional faz o papel de transmissora de imagens, rádio, despertador, carregador de telefone e lareira (imagens de chamas de fogo). Cama Box confortável, travesseiros bons, cortina blecaute, isolamento acústico e ar condicionado. Banheiro com todo aparato e ducha boa e só a exaustão deixou a desejar. 


Recepção 24 horas e um bar cheio de estilo. Não provei o café da manhã, já que uma vez em Viena é obrigatório abrir o dia em um dos muitos cafés da cidade.
Como quero voltar à cidade, voltaria com certeza ao One!


Já em Madri queria ficar perto de uma estação de metrô tendo em mente que percorrer a capital espanhola caminhando seria impossível. Queria também estar próximo das baladas que faria. Escolhi, seguindo os mesmo critérios, o NH Nacional.
A Rede NH tem vários hotéis espalhados pela Espanha. Esse fica ao lado da Estação Atocha, de frente pro Museu do Prado e do lado do Museu Reina Sofia; localização ideal. Sem esquecer que um taxi da zona boêmia, segundo o Google Map, daria não mais de dez euros. Bingo! 

A cereja do bolo foi uma promoção no site do Booking ofertando o quatro estrelas por preço de três ou até duas. Coloquei a diferença na mesa e se escolhesse por outro hotel mais em conta  daria para tomar uma ou duas rodadas de sangria extra. Optei pelo NH. 
Primeira impressão, ainda do lado de fora, foi óh! 
O check in demorou um pouquinho e nada de maiores explanações, o que era de se esperar de um hotel desse porte. Recepção 24 horas movimentada. Elevador panorâmico e pronto!




Quarto pequenino, mas lindo. Duas camas de solteiro com bons colchões, TV a cabo, ar condicionado (fundamental se tratando de Madri e seu calor infernal) e banheiro grande. Armários, guarda-roupa, cofre e os todos os plus essênciais e uma vista pro jardim do Prado.






No entanto, qualquer coisa que saísse do plano (na promoção o  quarto foi por 95 euros a diária e mais nada incluído) os preços eram absurdos. Exemplo? Pedi um ferro para passar uma camisa. E a resposta foi: não temos, senhor! Perguntei, então, se eles tinham o serviço de passadeira. Alguns minutos e me retornaram com um sim e o preço de 15 euros. Oi? Pra passar, não por uma camisa nova, pensei. Desisti e usei a velha tática de ligar o chuveiro no muito quente e deixar que o vapor desamarrotasse minha camisa.
A falha grave:Internet grátis só no hall e por 15 minutos. O dia do wi-fi estava por cinco euros. Fui ao McDonalds da esquina me abastecer de sorvete e já aproveitei o wi-fi deles.  
Café da manhã não provei, mas o preço de 22 euros não era convidativo.
Não vou negar que esperava mais, não me arrependi, mas quando voltar a Madri vou ficar em alguma das muitas opções de hotel na Grand Via ou no bairro Salamanca.  Mas é Madri e Madri é sempre bom!

Clube experiência
Minha segunda viagem pelo Velho Continente foi para capital da Escócia.
Seriam apenas dois dias, ou seja, uma noite de hostel em Edimburgo. 
Éramos cinco rapazes e fiquei responsável pela reserva do dormitório.
Numa pesquisa no hotelworld.com escolhi uma igreja transformada em alojamento. Logo de cara achei uma ideia no mínimo intrigante: dormir em uma igreja do século passado num país com uma história religiosa determinante na construção da sociedade.
Sem muita experiência no campo de busca, reservei  e só sabia que a localização era central. Reserva feita e seja o que Deus quiser.Afinal, estarei na casa do senhor!

No dia da chegada na cidade, a caminhada de uns 15 minutos do Centrão de onde o ônibus do aeroporto nos deixou, até o Hostel já assustou um pouco.  Até que avistamos o nome:  Belford Hostel Edinburg.

Ufa! Respirei aliviado... e assustado.
Como era muito cedo não pudemos fazer o check in. Ok, passou!
Pedimos pra deixarmos nossas coisas. Eles não tinham depósito de bagagens propriamente dito, então,  deixamos nossas mochilas num quartinho improvisado. Medo!
Fomos cumprir o roteiro sem ver o quarto. Mais Medo! 
Quando voltamos para tomar um banho e dar aquela descansada básica antes de ir pra balada eis o que se apresenta.

O Hostel manteve a estrutura interna da  antiga igreja e fez os quartos, leia-se divisórias, com aquelas madeiras rosada que me fugiu o nome agora. No "quarto" havia quatro camas beliche e além de nós, mais um companheiro que quando chegamos de tarde, de madrugada e saímos pela manhã; estava dormindo.



Até aí tudo bem.
Surpresa maior foi quando entrei no banheiro...
Pensa um lugar podre. Bingo! No box a água empossava e a sensação de “banho de banheira” obrigatório não agradava.
Na hora de dormir foi a comédia maior, pois como não haviam divisórias até o teto, ouviam-se todos os barulhos produzidos durante a noite de todos os hóspedes. Ok, não entrarei em detahes aqui.
O café da manhã foi na cozinha do hostel onde se apresentou a diversidade local. Vale ressaltar que essa foi a parte mais interessante.
E como o objetivo da viagem era não gastar mais de 100 euros (paguei 2 euros pela passagen de ida e volta via Ryanair) valeu!
Essa noite de sono me custou míseros seis euros e tenho na bagagem o privilegio de ter dormido em uma igreja.
Vai dizer que você não iria gostar?
Se voltaria  a dormir no hostel? 
Oi!?

Mapeando
Fotos: Paulo Rogério de Souza

Outros post sobre Madri aqui

29.11.12

Lx Market e Ler Devagar dois grandes programas em Lisboa

Caixotes de vinho que viram quadros carregados de estilos, taças transformadas em abajur de velas, relicários feitos de materiais antigos, licores afrodisíacos e muito mais que um mercado de rua pode oferecer tem no Lx Market.


Prestes a completar um ano de vida, o caçula de Lisboa, faça chuva ou faça Sol coloca na rua principal da Lx Factory a criatividade portuguesa.
 


 
Com o slogan “segunda mão de primeira” já virou mania nos domingos. 
 
 
As sessões de roupas usadas também atraem as atenções. No entanto, as usadas que ganharam uma nova roupagem e se tornaram peças únicas são as coqueluches.


O Lx tem criado força como zona de testes para produtores e criadores que tem algo a mostrar pro mundo. O Licor do Amor nasceu ali e já virou sucesso.



Super bem frequentado, atrai tanto quem quer vasculhar os baús, como também, o público que procura um bom brunch nos cafés atrelados à fábrica.  
 
Também rola uns shows ao vivo pra animar ainda mais.
O jeito é parar de banca em banca, futricar, negociar preço, ouvir as histórias, encher as sacolas e criar as suas próprias histórias.



 

Mapeando

Onde – Lx Factory na Rua Rodrigues Faria em Alcântara.

Como ir – Trem urbano (Comboio) 18E e 15E desde Praça do Comércio. Descer na parada Calvário. E os ônibus: 56, 60 714, 720, 727, 732, 738 e 751 também na descer na parada Calvário. De lá uma caminhada de 2 minutos.

Horários - Domingos das 11h às 18h.

E se chover? O mercado acontece mesmo assim, só que dentro de um dos pavilhões da fábrica.

Clube Experiência – Lembra daquela música que a Marisa Monte canta: “E no meio de tanta gente eu encontrei você...” ?Pois não é que atrás de uma porta bem pequenina eu encontrei, não meu amor, pelo menos ainda; mas uma outra paixão. Abriu-se um mundo encantado: o dos livros e que atende pelo nome de Ler Devagar.
 


Imagina um lugar legal? Dobra e terás um pouco do que é esse espaço fantástico que mescla livraria, café, galeria, teatro, uma espécie de sebo( já que tem livros antigos que não se encontram em livrarias tradicionais)e muito espaço pra ler beeeeem devagarzinho com sol que entra pelas janelas fazendo o nariz coçar sempre que o café encosta no céu da boca.
 

O sobe e desce de gente, as crianças folheando livros, pais sentados nos bancos contando estórias pros filhos, senhores lendo o jornal do dia acompanhado do seu cigarro e gente que gosta do cheiro de livro velho e novo é o cenário.
 
 
Se for sua praia vale a visita longa e demorada.
 

Ah! Gostaria muito que as bibliotecas tivessem essa mesma dinâmica livre de pega livro, senta , toma café, conversa, discute, pega outro livro, descobre um outro  e quando se vê já é hora de ir embora com o coração carregado de emoções.
 
 
Mapeando
Onde fica - Rua Rodrigues de farias, 103. G 3 na rua da Lx Market.
Horários – Terças a quinta das 12h às 24. Sextas e sábados das 12h às 2h. Domingos das 12h às 22h.
 
Clube Vale a pena - Ali  também na Lx facotry está instalado o Espaço Brasil, o cantinho erguido em homenagem ao Ano do Brasil em Portugal. Com uma área de 1200m² abriga uma sala de espetáculos, uma galeria e dois bares. Na programação menos samba e mais cultura contemporânea brasileira até dia 6 de junho. Para conferir a programação completa aqui.
 

Desenhos de Darlon
Fotos: Paulo Rogério de Souza

9.11.12

O teatro aberto da Rua Augusta

Toda cidade que se preze tem uma boa rua onde a liberdade de expressão é característica do povo que ali vive.
 
Em Lisboa, a Rua da Augusta, com seus 550 metros de comprimento, é um teatro a céu aberto e faz ri até os corações mais ranzinzas.
 
Depois de fechada ao tráfego no final dos anos 80, a rua de pedras típica portuguesa virou o calçadão mais famoso e movimentado da cidade.
 
Por ali, milhares de locais e turistas circulam diariamente comprovando o poder da região denominada Baixa de Lisboa.
 
Do Arco Triunfal, na Praça do Comércio (conhecido como o grande portão de entrada lisboeta) e começo da Augusta, até o seu final na Praça do Rossio; impossível não cruzar com os artistas de rua fazendo a mais singela e pura... arte.
A fusão de lojas de grifes com comércios centenários como a Casa Macário e restaurantes com serviço de mesa na rua e muita gente faz da Augusta uma atração por si só.
 Uma vez em Lisboa impossível não passar por ali e se perder com o menu do dia.

Mapeando
 
 Rua Augusta não tem como errar. Todo mundo sabe onde fica.
 

Fotos: Paulo Rogério de Souza

6.11.12

O charme da Confeitaria Nacional

Com o frio  que vem  mudando a configuração do rio Tejo nada melhor do que descobrir  as muitas pastelarias (pastelaria aqui, diferente do Brasil, não é uma casa de venda de pastéis e sim algo semelhante a nossa padaria) espalhadas por todos os lados de Lisboa.
 
Fachada da Nacional com o Castelo de São Jorge de fundinho
 
Para abrir a temporada com chave de ouro decidi começar pelo “início” e a pedida, então, não poderia ser outra se não a Confeitaria Nacional, fundada em 1829, pelo confeiteiro Baltazar Rodrigues Castanheiro e uma das mais famosas da cidade.
 
O interior imperialista abarrotado de gente
A fama vem de muito longe: pelos  tracionais  gabinetes no andar superior  onde se reuniam a nata lisboesta, a indicação como fornecedora oficial da Casa Real, o vanguardismo de ser um dos primeiros estabelecimentos a ter iluminação a gás e telefone (o aparelho ainda esta no local) e, claro, ter a melhor oferta de quitutes de comer chorando como os bolinhos de amêndoa, de ovos  e os sortidos.


Como adoro os scones à escoceses decidi provar o português. E pra não fugir à regra de outros broas e pães,  a receita daqui leva farinha de milho na composição o que deixa parecido com bolo de fubá.E pra acompanhar uma "meia de leite de café de máquina".
 
 
O conceituado Bolo Rei português nasceu ali. Na mala vindo de Paris,  Baltazar Junior, sucessor do pai; trouxe a receita que virou clássica para ser degustada entre o Natal e o dia dos Reis.
 
No cartaz diz que o Bolo Rei já esta a venda
Hoje, como mais de 180 anos, continua na mão da mesma  família e mantém inalterada a tradição de casa de chá que ainda servem scones em plena atmosfera real.
 



Mapeando
Onde – Praça da Figueira  18B, na esquina da Rua Correeiros. Pertinho da Praça do Rossio.
 
Horários – Todos os dias, das 8h às 20h.
 
Média de preços – scone e xícara de café com leite por €2,75. As especialidades da casa têm preços individuais e diferenciados.
 
Clube Experiência - Como tudo que é famoso e no Centro está sempre lotado de turistas (e quando digo lotado é bem lotado, incluindo os dois andares) as mesas têm rotação muita rápida, já que turista esta sempre com o roteiro cheio e a ideia é provar um doce de ovos e seguir pro próximo ponto. Melhor pra quem quiser sentar-se numa mesa a beira da janela e ver a vida passar pelo lado de fora enquanto toma seu café e lê o Público. Para isso, escolha seu lugar no andar superior bem lá no fundo e saia  antes que os turistas acordem e invadam o lugar pra tomar café da manhã.
 
 
 
Clube vale a pena – Levar um saquinho cheio das guloseimas pra casa e comer enquanto lê "Cartas de Amor de Fernando Pessoa". O meu exemplar, diga-se de passagem, é da primeira edição de 1978 e ganhei de presente da minha irmã.
 
 
Nas páginas as trocas de cartas entre Pessoa e sua namorada Ophélia Queiroz, que no início da obra  fala uma pouco do jeito de ser do poeta.
“...Como eu era muito gulosa -  e ainda sou – e o Fernando sabia – o bem, muito bem, levava-me de presentes, muitas vezes, rebuçados e bombons. Dentro de uma caixa de bombons, um dia, encontrei estes versos:
Bombom é um doce
Eu ouvi dizer
Não que isso fosse
Bom de saber
O doce enfim
Não é para mim...”